terça-feira, 15 de agosto de 2017

MÚSCULO ESTRIADO ESQUELÉTICO: UM TECIDO INTELIGENTE?

      Imagem relacionada



        O músculo estriado esquelético é um tecido plástico (significa que é capaz de adaptar aos mais diferentes tipos de estímulos). Por exemplo, quando levantamos pesos por vários meses este é capaz de aumentar seu tamanho (hipertrofia). Por outro lado, se utilizamos pouco, como em condições de sedentarismo ou imobilização ele diminui (atrofia). Vale lembrar que qualquer adaptação neste tecido (mudanças na forma e tamanho) se perde ao interrompermos o estímulo dado, por isso é essencial uma regularidade no treinamento.
    Além disso, ele é capaz de aumentar seu poder contrátil (aumento da força) e mudar sua composição e característica de tipo de fibra (deixando mais resistente, mais veloz etc). Quando treinamos corrida ou ciclismo o músculo se prepara para adaptações que favorecem o condicionamento aeróbio (aumento de enzimas oxidativas, aumento da capilarização e aumento de mitocôndrias). Tais mudanças são essenciais para aumentar a resistência em atividades de longa duração. Já na musculação, a fibra aumenta com o acúmulo das sessões de treinamento. Isto se deve a ativação de vias moleculares que induzem remodelamento da fibra muscular e a ativação de células-tronco (células satélites) capazes de reparar pequenas extensões de micro-lesões. Visto isso, podemos dizer que o músculo é um sistema inteligente. Ele é maleável e se adapta a qualquer circunstância. 
        Doenças como câncer, distrofia muscular, diabetes, doença pulmonar obstrutiva crônica também levam a perda de massa muscular. A sarcopenia (perda de força e massa muscular no envelhecimento) também é uma situação deletéria para o músculo. Nestes casos, a suplementação de aminoácidos em conjunto com exercícios podem minimizar a atrofia muscular. 
         Mais recentemente se descobriu que o músculo também serve como um comunicador entre os sistemas corporais. A contração do músculo libera moléculas no sangue que atingem outros órgãos, como os adipócitos, cérebro etc. Portanto, ele é capaz de "conversar" com outros tecidos sinalizando adaptações importantes para a saúde. 
       Um acumulado de evidências também demonstram que a manutenção da massa muscular e força é importante para a qualidade de vida e a longevidade. Pacientes críticos com perda dramática de massa muscular possuem menor sobrevida. 
         Desta forma, podemos dizer que este sistema é mágico, dinâmico, versátil, capaz de responder a diferentes demandas impostas a ela. Assim, vamos cuidar dela com muito carinho.