Descobertas inéditas não são novidades na ciência. No entanto, na última década a ciência do esporte e a fisiologia do exercício avançou assustadoramente. Os novos métodos de avaliação e tecnologia permitem os cientistas a melhor compreensão do por que determinado atleta se sobressai em relação ao seu adversário em um evento esportivo específico, ou por que um indivíduo melhora sua capacidade funcional em resposta ao treinamento físico. Por exemplo, hoje sabemos que um músculo maior nem sempre é um músculo mais forte. Assim, a ciência vem nos ensinando quando é melhor treinar, quando é melhor se suplementar, ou por que treinar daquele ou desse jeito.
Para os músculos crescerem necessitamos de um sistema imune em ótimo funcionamento. Camundongos desprovidos de uma proteína chamada de ativador de plasminogênio do tipo uroquinase (uPA), que é essencial para a função imune, compromete a construção de músculos. Por exemplo, a uPA previne a incorporação de células imunes no músculo após lesão muscular. Após treinamento físico intenso (musculação pesada) células imunes são importantes para remover as células danificadas, e além disso servem como sinalizadoras da reconstrução muscular. Um outro estudo verificou que o tratamento de anti-inflamatórios não esteroides bloqueia o crescimento muscular. Isto significa que ao tomar anti-inflamatórios a resolução das células que são necessárias para reparo podem ser comprometidas, bloqueando a regeneração.
Outro paradoxo é o papel dos hormônios circulantes para o crescimento muscular. Em 1992 pesquisadores demonstraram que a administração de hormônio do crescimento (GH) em combinação com o treinamento de força não promove aumento da massa muscular. Pesquisadores também demonstraram que tanto a insulina assim como o fator de crescimento semelhante à insulina (IGF-1) eram dispensáveis para o aumento da massa muscular e força. Apesar de ser polêmico esta questão, ainda sim os hormônios são importantes na manutenção de uma massa muscular preservada, mas sugere-se que ela não é o contribuinte primário quando o assunto é hipertrofia fisiológica. Por muito tempo, atletas e praticantes de exercícios injetam insulina e os fatores de crescimento, mas os novos estudos questionam essa conduta. Da mesma forma a testosterona não é totalmente necessário para aumentar a massa muscular. Tais hormônios aparentam ser importantes na fase inicial do treinamento ou durante o desenvolvimento embrionário até a fase neonatal, mas eles exercem pouco efeito durante adaptações crônicas de treinamento.
Uma das descobertas mais fascinantes na ciência foi a do alvo mamífero de rapamicina (mTOR). Um estudo com ratos observou que o mTOR estava aumentado na hipertrofia muscular. Esta proteína é diretamente relacionada a quantidade de peso que alguém levanta ou por aminoácidos. De forma geral, um indivíduo que deseja potencializar a hipertrofia deve levantar um peso considerável com repetições intensas combinados à ingestão de aminoácidos essenciais, sem a necessidade de hormônios e anti-inflamatórios.
O conhecimento de que o treinamento aeróbio aumenta o tamanho das mitocôndrias e enzimas oxidativas é conhecido há mais de 4 décadas. No entanto, somente agora pesquisadores identificaram alguns genes que quando manipulados por nutrientes e o treinamento podem melhorar o desempenho aeróbio. Camundongos com ativação do PPAR gama possuem mais enzimas que quebram gordura e potencializam o metabolismo muscular. Como consequência os animais correm por mais tempo em esteira. Muitos iriam utilizar este composto para potencializar o desempenho. Mas se conhecermos meios de naturalmente manipular este gene como por meio do próprio treinamento físico e nutrição, seria mais interessante. Uma das formas de ativar o PPAR seria fornecer gordura como fonte energética. Uma alternativa teórica seria ingerir mais gorduras, mas isto afeta pouco a ativação do gene. No âmbito do treinamento físico também existe uma complicação, uma vez que ao aumentar a intensidade do exercício a transição dos carboidratos prevalece sobre a gordura. Uma nova estratégia de maximizar o desempenho aeróbio é treinar em depleção de glicogênio. Esse método irá estimular as enzimas oxidativas musculares pelo maior uso de gorduras durante o jejum. Um outro co fator de transcrição importante é o PGC-1alfa, gene relacionado à produção de mitocôndrias. Após exercício de longa duração mais PGC-1alfa é produzida e isso é importante para as adaptações musculares. AMPK é uma enzima que mensura o estado energético da célula. Quando muita energia está sendo gasta (como no exercício) ou quando pouca energia é produzida (jejum) a AMPK se torna ativada. Quando esta enzima se torna ativada queima a gordura e aumenta a captação da glicose e inibe a síntese de proteína. Sabe-se também que o PGC-1alfa ativa a AMPK. O treinamento aeróbio de alta intensidade ativa mais a AMPK do que um treinamento leve. Tente não suplementar com carboidratos durante o treinamento aeróbio, uma vez que a ingestão de carboidratos pode diminuir a ativação da AMPK. Algumas substâncias naturais como o resveratrol pode ativar a AMPK, assim seria interessante ingerir suco de uva em combinação com o treinamento, por exemplo.
Um dos desejos de muitos praticantes de exercícios físicos é aumentar a massa muscular ao mesmo tempo que melhora a resistência cardiorrespiratória. No entanto, se tratando no mundo real isso é difícil de ocorrer. No passado foi demonstrado que o exercício aeróbio quando realizado em conjunto com o treinamento de força resulta na interferência da adaptação muscular, ou seja, uma diminuição da força muscular. Mais tarde pesquisadores descobriram que o AMPK pode diretamente bloquear o mTOR. Para aumentar simultaneamente a resistência muscular e hipertrofia recomenda-se as seguintes estratégias:
- Faça esteira ou bicicleta (aeróbio) antes do treinamento de força
- Entre as sessões de exercícios aeróbio e força consuma carboidratos (para desativar a AMPK) e ingira aminoácidos (para ativar o mTOR).
- Diminua as séries (muitas séries (acima de 5) pode gerar estresse metabólico) e ativar a AMPK, inibindo o mTOR.
- Deixe seus músculos crescerem enquanto você dorme
Conclusões
A fisiologia do exercício sempre teve e ainda tem sua importância e espaço na ciência, no entanto, atualmente não basta apenas entender a fisiologia clássica. Um conhecimento emergente é entender como os genes e proteínas regem toda a maquinaria orgânica em resposta ao exercício físico. Em breve os profissionais envolvidos necessitarão deste complexo mas fascinante conhecimento para ampliar a conduta da prescrição de exercícios e entender em profundidade os mistérios da fisiologia humana.
Obs: Baseado no texto do Prof. Dr. Keith Baar.
Uma das descobertas mais fascinantes na ciência foi a do alvo mamífero de rapamicina (mTOR). Um estudo com ratos observou que o mTOR estava aumentado na hipertrofia muscular. Esta proteína é diretamente relacionada a quantidade de peso que alguém levanta ou por aminoácidos. De forma geral, um indivíduo que deseja potencializar a hipertrofia deve levantar um peso considerável com repetições intensas combinados à ingestão de aminoácidos essenciais, sem a necessidade de hormônios e anti-inflamatórios.
O conhecimento de que o treinamento aeróbio aumenta o tamanho das mitocôndrias e enzimas oxidativas é conhecido há mais de 4 décadas. No entanto, somente agora pesquisadores identificaram alguns genes que quando manipulados por nutrientes e o treinamento podem melhorar o desempenho aeróbio. Camundongos com ativação do PPAR gama possuem mais enzimas que quebram gordura e potencializam o metabolismo muscular. Como consequência os animais correm por mais tempo em esteira. Muitos iriam utilizar este composto para potencializar o desempenho. Mas se conhecermos meios de naturalmente manipular este gene como por meio do próprio treinamento físico e nutrição, seria mais interessante. Uma das formas de ativar o PPAR seria fornecer gordura como fonte energética. Uma alternativa teórica seria ingerir mais gorduras, mas isto afeta pouco a ativação do gene. No âmbito do treinamento físico também existe uma complicação, uma vez que ao aumentar a intensidade do exercício a transição dos carboidratos prevalece sobre a gordura. Uma nova estratégia de maximizar o desempenho aeróbio é treinar em depleção de glicogênio. Esse método irá estimular as enzimas oxidativas musculares pelo maior uso de gorduras durante o jejum. Um outro co fator de transcrição importante é o PGC-1alfa, gene relacionado à produção de mitocôndrias. Após exercício de longa duração mais PGC-1alfa é produzida e isso é importante para as adaptações musculares. AMPK é uma enzima que mensura o estado energético da célula. Quando muita energia está sendo gasta (como no exercício) ou quando pouca energia é produzida (jejum) a AMPK se torna ativada. Quando esta enzima se torna ativada queima a gordura e aumenta a captação da glicose e inibe a síntese de proteína. Sabe-se também que o PGC-1alfa ativa a AMPK. O treinamento aeróbio de alta intensidade ativa mais a AMPK do que um treinamento leve. Tente não suplementar com carboidratos durante o treinamento aeróbio, uma vez que a ingestão de carboidratos pode diminuir a ativação da AMPK. Algumas substâncias naturais como o resveratrol pode ativar a AMPK, assim seria interessante ingerir suco de uva em combinação com o treinamento, por exemplo.
Um dos desejos de muitos praticantes de exercícios físicos é aumentar a massa muscular ao mesmo tempo que melhora a resistência cardiorrespiratória. No entanto, se tratando no mundo real isso é difícil de ocorrer. No passado foi demonstrado que o exercício aeróbio quando realizado em conjunto com o treinamento de força resulta na interferência da adaptação muscular, ou seja, uma diminuição da força muscular. Mais tarde pesquisadores descobriram que o AMPK pode diretamente bloquear o mTOR. Para aumentar simultaneamente a resistência muscular e hipertrofia recomenda-se as seguintes estratégias:
- Faça esteira ou bicicleta (aeróbio) antes do treinamento de força
- Entre as sessões de exercícios aeróbio e força consuma carboidratos (para desativar a AMPK) e ingira aminoácidos (para ativar o mTOR).
- Diminua as séries (muitas séries (acima de 5) pode gerar estresse metabólico) e ativar a AMPK, inibindo o mTOR.
- Deixe seus músculos crescerem enquanto você dorme
Conclusões
A fisiologia do exercício sempre teve e ainda tem sua importância e espaço na ciência, no entanto, atualmente não basta apenas entender a fisiologia clássica. Um conhecimento emergente é entender como os genes e proteínas regem toda a maquinaria orgânica em resposta ao exercício físico. Em breve os profissionais envolvidos necessitarão deste complexo mas fascinante conhecimento para ampliar a conduta da prescrição de exercícios e entender em profundidade os mistérios da fisiologia humana.
Obs: Baseado no texto do Prof. Dr. Keith Baar.

