segunda-feira, 24 de fevereiro de 2014

 SUPLEMENTAÇÃO COM ADENOSINA-5´-TRIFOSFATO (ATP)

EFEITOS SOBRE O DESEMPENHO ATLÉTICO, HIPERTROFIA MUSCULAR E RECUPERAÇÃO NO TREINAMENTO DE FORÇA


O QUE É ATP? 

É uma fonte de energia para realização do trabalho biológico (contração muscular e outras atividades orgânicas), mediante da hidrólise de ATP, ou a quebra entre o ADP (adenosina difosfato) com Pi (fosfato inorgânico). Esta quebra promove liberação de energia armazenada neste composto. A utilização e a consequente depleção dessa fonte energética requerem a participação de processos químicos que resultem na produção de energia necessária para que a ligação entre ADP e Pi seja refeita.  Para geração de energia na contração muscular ocorre a quebra de ATP em ADP + Pi . Para a ressíntese de ATP três formas químicas ocorrem: 
1) Durante exercícios intensos e pouco duradouros (2 segundos), a fosfocreatina é degradada (por enzimas) em creatina e fosfato, que são transferidos para ADP para formar novamente ATP.
2) A glicose-6-fosfato que vem do glicogênio por meio da glicólise anaeróbia converte-se em lactato e produz ATP.
3) Produtos do metabolismo da glicose, lipidios e alcool podem entrar no ciclo do ácido tricarboxílico (ciclo de Krebs) nas mitocôndrias, e são oxidados em água e dióxido de carbono. O processo de fosforilação oxidativa gera energia para formar ATP.


SUPLEMENTAÇÃO: QUEM PRECISA?

A suplementação é qualquer produto que contenha vitaminas, minerais, aminoácidos, ervas, concentrados, metabólitos, constituintes, extratos ou a combinação destes nutrientes. Os suplementos são desenvolvidos em duas formas: ergogênicos (indicados para aumentar possivelmente o desempenho), e repositores (indicados para repor os nutrientes perdidos por uma alimentação inadequada). A suplementação deve ter acompanhamento de um especialista em nutrição esportiva e deve ser individualizada de acordo com o estilo de vida (necessidade ou não de repor os nutrientes, intensidade e volume do treino, condição física do indivíduo, nível de estresse e sono entre outros). Muitas vezes os indivíduos aumentam a dose de alguns suplementos o que pode levar a possíveis efeitos colaterais assim como inutilização do produto pelo corpo, não aumento o desempenho. Entre os suplementos os mais utilizados são os energéticos, protéicos, compensadores, repositores e aminoácidos. 


SUPLEMENTAÇÃO COM ATP: O QUE SE SABE E O QUE NÃO SE SABE

O ATP produz vasodilatação, devido ao aumento da excitabilidade celular e aumento da permeabilidade ao cálcio. Se sabe que a meia-vida do ATP infundida é cerca de menos de 1 segundo. O ATP é rapidamente capturada e armazenada nos eritrócitos (células vermelhas do sangue). Quando o oxigênio é baixo nos músculos exercitados, os eritrócitos se deformam e liberam ATP. O resultado é a vasodilatação e o maior fluxo de sangue na musculatura em contração, favorecendo assim a oferta de nutrientes e oxigênio. A ingestão de ATP parece promover respostas ergogênicas sem aumentar a concentração plasmática de ATP. Um estudo demonstrou que a ingestão de 225 mg de ATP por dia durante 15 dias aumentou o volume total (séries x repetições x cargas) e repetição máxima. Outro grupo observou que a ingestão de 400 mg por dia de ATP aumentou o pico de torque mínimo nas duas séries finais de um teste em dinamômetro. Os resultados em conjunto sugerem que a suplementação de ATP deve reduzir a fadiga muscular e aumentar a geração de força em atividades intensas e intermitentes. 


QUAL A NOVIDADE DESTE ESTUDO? 

Até o momento nenhum estudo tinha examinado os efeitos crônicos em humanos quanto à composição corporal e indicadores de desempenho quando combinados ao treinamento de força periodizado. 

QUAL O OBJETIVO DO ESTUDO?

Verificar se a suplementação de ATP pode aumentar a potência, a força e a massa muscular durante 12 semanas de tratamento e o segundo objetivo é avaliar a segurança do suplementos por meio de avaliações hematológicas e bioquímicas. 


COMO FOI FEITO O ESTUDO?

O estudo foi randomizado (aleatório), duplo-cego (nem os participantes sabiam da ingestão nem os pesquisadores) e controlado por placebo. Foi dividido em três fases: a primeira fase consistiu em treinamento de força periodizado não linear (também chamado de ondulatório que não segue o mesma intensidade ao longo do treino) 3 x por semana. A segunda fase consistiu
 em uma fase de ciclo de overreaching (mais pesado) durante as semanas 9 e 10. A terceira fase consistiu em recuperação durante as semanas 11 e 12. A massa muscular e a composição corporal foram mensuradas no estado basal e nas semanas 4, 8 e 12. Massa muscular, salto vertical, creatina quinase, potência pico no teste de Wingate, proteína C reativa, testosterona foram mensuradas nas semanas 4, 8, 9, 10 e 12. A dose de ATP foi de 400 mg por dia. 


O QUE PODEMOS CONCLUIR DESTE ESTUDO? 

A suplementação de ATP foi eficaz em promover efeitos ergogênicos, uma vez que os indivíduos suplementados apresentaram maiores ganhos de massa muscular, força e potência. Apesar de a suplementação de ATP ter melhorado o desempenho os mecanismos envolvidos necessitam ser melhor investigados futuramente. Além disso, um maior número amostral (número de sujeitos pesquisados) necessita ser utilizado, além de uma população com diferentes condicionamentos (na pesquisa utilizou-se de sujeitos altamente treinados). Portanto, a suplementação com esta "moeda" energética que é o ATP parece fornecer adaptações favoráveis ao desempenho em nível funcional e morfológico durante exercícios intensos. 

Referência: Wilson, J.M et al. Effects of oral adenosine-5-' triphosphate supplementation on athletic performance, skeletal muscle hypertrophy and recovery in resistance-trained men. Nutrition and Metabolism, 2013.


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